26 de set de 2011

As Cartas me emocionam sempre

Esta só me fez ter ódio de mim por não a tê-la escrito.



Bom dia!
Oi Paulo e a todos que participaram dessa leitura.
Então, já faz algum tempo que estamos precisando conversar, até tivemos oportunidades, porém não era conveniente.
Pois a “poeira” ainda estava muito acentuada, e não estava querendo dizer coisas para machucar, nem gostaria de escutar nada que me machucasse.
Mas agora chegou a hora.
Vamos lá.
Quero já dizer a você que esse e-mail não é muito particular, pois ele está sendo enviado a várias pessoas o qual viu e ouviu suas palavras e as minhas também,
e para pessoas que até hoje ainda escutam você falar sobre Olímpia, inclusive pessoas da própria Olímpia, por isso fica a sua disposição responde-lo,
para que todos saibam as partes de cada um.
Olímpia foi antes de tudo um desafio, desafio dos bons, jamais me arrependerei de nada que fiz para estarmos lá.
Desde que começamos este longo caminho, seu nome já estava junto a nós, defendemos você, sua ida, seu trabalho, sua história, sua arte;
porém nas finalizações da viagem as coisas não foram como pensaríamos que fosse.
Realmente quando se fez o projeto “Olímpia”, queríamos mais do que conseguimos, isso é fato. Fizemos um orçamento e que com certeza você estava incluso,
não só você, mas todos os integrantes da caravana potiguar.
Infelizmente não saiu verba para que pudéssemos trabalhar dignamente, corremos várias Secretarias, Órgãos Públicos e Privados, para conseguir um apoio,
um patrocínio financeiro, porém nos foi negado.
Conseguimos muita coisa, também é fato, conseguir um caminhão com a SETHAS para levar toda a nossa “mudança” foi uma vitória, de todas a maior,
você tem que concordar, pois sem o caminhão não teríamos ido a lugar algum, porém não era suficiente, continuamos a colocar o “pires na mão”
e fomos atrás até o último dia.
Conversamos várias vezes a respeito de conseguir passagem para você levar sua família e ajudantes, mais estas foram também cortadas quando recebemos da FJA três passagens para dispor a caravana, uma evidentemente para você, a primeira, e as outras, uma para o artesão Nildo e a outra foi para Wecsley, 
que trabalhou incansavelmente nesta jornada ao nosso lado por mais que você não tenha visto, e na frente da Secretária Isaura Rosado foi dito para quem 
eram as passagens e ela concordou e aceitou todas, posto que ela já sabia que você teria ajudantes em Olímpia. 
Ela também sabia do trabalho e tudo que levaríamos, por isso mesmo concordou com os nomes oferecidos as passagens.
Mesmo assim não descansamos, continuamos correndo atrás. A minha passagem foi a Sra. Anna Maria Cascudo que me ofertou,
a passagem de Alexandre, foi o mesmo que comprou, a passagem de Neuza também foi ela quem comprou, e assim por diante,
Aldo ganhou a dele, e os outros compraram com seu próprio dinheiro. 
Digo isso para que você deixe de falar que deveria ter levado outras pessoas, cada um se virou, e você também tinha que se virar,
mais entendemos que você estava muito ocupado com a Cidade Samburá, e então batalhamos por você também, como assim o fizemos para todos.
Pare de nos caluniar, ninguém precisa desses seus comentários insólitos, você tem falado coisas que não existe, e você sabe disso.
Assim que chegamos a Olímpia você disse que não tinha ninguém trabalhando com você nem para você. Tudo o que foi prometido em Olímpia para você,
você teve, quer dizer, teve muito mais, e você sabe disso também. Muita coisa você conseguiu com o seu talento, isso é fato. Não entendo;
você foi o único a receber uma grana para estar em Olímpia, a FJA lhe pagou R$ 3.000,00, e você nem nos contou. 
Ninguém sabia. ( em anexo fotos da construção da casa e processo de pagamento)
Você realmente é merecedor de muito mais, mais porque só você?
O RN não é só você, o Brasil, não é só você, o mundo não é só você.
Até agora tenho atribuído todo o seus comentários, reações entre outras coisas, à empreitada que você fez e foi mal sucedida, a Cidade Samburá,
você se machucou e depois quis colocar a sua tristeza (talvez raiva, culpa) no primeiro que aparecesse na sua frente, e aí não deu outra, foi eu e Séphora. 
Você sabe que fomos várias vezes conversar com você, te dar força, fazer parte, mais infelizmente não deu certo, pois a Comissão de Folclore não era eu, 
Séphora e Teresa, tem muito mais gente, como você também, e nós estávamos como loucas correndo atrás das coisas de Olímpia. 
E o negócio se tornou seu e deixou de ser da Comissão.
Porém hoje acho que não foi por isso, é porque você é assim mesmo, individual, capitalista.
Quando eu conheci você, Ângela e Paulo Ângelo, eu nem pensei que seria assim, apesar de já ter escutado várias estórias suas, 
dentro desses 6 anos que mantivemos uma amizade. Quando você estava fazendo a sua primeira casa de taipa na festa do boi, eu estava lá, 
com vocês, tudo começou com Ângela dando café aos seus convidados, amigos e visitantes da casa, e eu na minha inocência, acho que é inocência,
vi que vocês poderiam fazer daquilo, algo a mais na casa, e assim virou a casa de taipa de Paulo e Ângela, com café, sopa, bolo, será que tu lembra disso?
Se você não lembra, eu lembro bem, e Ângela pode até dizer que não lembra, mais eu me lembro como se fosse hoje.
Jamais tive a intensão de denegrir sua imagem, seu trabalho, sua vida. 
Porque você esta falando de mim e de Séphora por aí?
Será que se Séphora não tivesse convidado a gente para ir a Olímpia, você estaria dizendo o que você está dizendo hoje?
Você foi tão bem recebido que tem até lugar para morar, que o povo amou você, que tudo é lindo, que todos são seus amigos, e que eu e Séphora não somos nada, que ninguém nos quer mais lá. Lembre-se Paulo que Séphora está nessa caminhada a 5 anos, ela não conheceu Olímpia nem o povo de lá ontem como nós conhecemos, acho que ela merece no mínimo nosso respeito e agradecimento.
Paulo, a vida é muito curtacurtíssima. O que você quer fazer?
Você só quer as coisas para você?
Nada é assim, eu pensava que você quando foi a Brasília em 2006 para o encontro de Cultura Popular, 
tivesse ido para lutar juntos com todos que estavam ali, por políticas públicas, por melhorias, mais vejo que tudo era só para você.
Você conseguiu levar sua esposa e seu filho para Olímpia, e sabe quem pagou¿ Você sabe, ou está esquecido?
Foi Séphora, que até hoje está esperando você pagar a ela, pois você deu sua palavra que iria pagar.
Mesmo assim, andas falando dela por ai.
Paulo, não queremos o seu mal, só queremos que você para de ser mal agradecido, de ser falador de Mer..., para com isso cara.
O que foi que a gente fez?
Te deu uma oportunidade e você chutou o pau da barraca?
Não acredito que você é o mesmo que conheci anos atrás, que defendi, que fui amiga, que escutei;o que está acontecendo com você?
Já sei, você quer conquistar o mundo sozinho.
É... infelizmente não estarei por perto, para ver isso acontecer, pois o mundo é de todos, e cabe todos, esse é o meu pensamento,
e tenho certeza que é o de Séphora e o de todos que estavam ali, aqueles que você diz que eu levei para turistar.
Não levei meu filho, minha filha, meu marido para estarem lá, para trabalharem comigo como sempre o fizeram, 
posto que a minha família fez a parte mais bonita dessa história, me apoiar, mas fiz questão de levar quem realmente estava desde de o início desta jornada,
e quem foi convidado a trabalhar. 
Quer dizer, eu não levei ninguém, cada um foi por sua conta e crédito, Séphora sim, não teve escolha, ou invés de pagar a passagem do filho dela,
pagou a do seu e da sua esposa. E você acha justo falar de nós?
Paulo eu quero viver bem, eu não preciso destruir ninguém para ter um espaço, pare de querer destruir os outros, ninguém sabe o dia de amanhã.
Quero que fique claro que eu e Séphora não recebemos dinheiro de Órgão algum, de Secretaria alguma, como andam falando que recebemos 
R$ 20.000,00 da FJA, gostaria que você ou qualquer outro procurasse esse processo na Fundação José Augusto, ou em qualquer outro processo do Governo. 
Já o seu processo, está aí, e já foi pago (em anexo), não precisamos ocultar nada, nem se fosse dinheiro, posto que se realmente tivéssemos recebido alguma coisa, não teríamos problemas com você.
Ou você acha que ficaríamos a ter dores de cabeça com você se tivéssemos grana?
Se tivesse aparecido este tal dinheiro, seria realmente para cobrir as despesas que foram gastas por nós até chegarmos a Olímpia e trabalharmos por lá. 
Todo o dinheiro gasto, para podermos estar lá, saiu do nosso bolso, e nem por isso deixamos de fazer o nosso trabalho que era representar
o Folclore e a Cultura do RN.
Desculpe Paulo por tudo mesmo, trabalhar com você não quero mais, você me decepcionou muito, muito mesmo, 
tudo o que eu acreditava que você era, era mesmo, não é mais, acho que jamais o foi, eu é que não via.
Fui sua amiga, você não foi meu, o dinheiro e a fama para você é maior do que qualquer amizade, você não é digno da minha amizade,
eu não penso nem ajo como você.
Desejo mais do que sucesso a você, muita Glória mesmo, do fundo do meu coração, porém não desejo o mundo, pois este é nosso, de todos.
Os nossos ideais são opostos, por isso vou ficando por aqui.
Querendo bem a você, porém decepcionada e muito triste.
E também quero que fique claro que não tenho raiva, rancor, ou outro sentimento que não faz parte de mim por você.
Adoro Ângela e Paulo Ângelo. Quero maior bem.
Abraços grandes.
Boa sorte.


PROCESSO PAULO VARELA

GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO
TERMO DE INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO
O processo abaixo discriminado, de interesse da Fundação José Augusto, teve reconhecida sua inexigibilidade de licitação, nos termos artigo 25, inciso III, da Lei Federal 8.666/93, referente à despesa com contratação do artista Paulo Varela de Morais para confeccionar um cenário (Casa de Taipa) para apresentações artísticas que irão acontecer na cidade de Olímpia – SP, no 47º Festival de Folclore de Olímpia, no período de 23 a 31 de julho de 2011            
Processo: 150150/2011-6; Interessado: PAULO SÉRGIO VARELA DE MORAIS; Valor R$ 3.000,00
Reconhecida/Ratificada
Natal/RN, 21 de julho de 2011.
Ana Neuma Teixeira de Lima
DIRETORA